Blog para esclarecimento do processo de Bolonha no Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas Modernas, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa.

terça-feira, abril 11, 2006

A escola que “antecipou” Bolonha em Portugal

FCSH avança com modelo europeu já no próximo ano

A Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) foi a primeira instituição portuguesa a criar “um espaço de mobilidade, com regras semelhantes às de Bolonha, dentro de uma faculdade”.

Uma inovação que permitirá a esta escola da Universidade Nova de Lisboa adoptar com mais facilidade as regras do processo de construção do espaço europeu de ensino superior.
Esta experiência piloto do sistema de “majors” e “minors”, implementada em 2001, permite actualmente aos alunos de qualquer curso fazerem o 4ª ano (minor) em qualquer outro departamento.
Um sistema que não é mais que uma antecipação das novas regras europeias de ensino superior que deverão entrar em vigor na maioria das escolas já a partir do próximo ano lectivo.
Todos os alunos que entrarem na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) em Outubro passam a ter uma licenciatura de três anos.
Os novos cursos de 1º ciclo terão ao todo 180 créditos – 120 serão assegurados por “um tronco comum, um por cada curso, no qual estão presentes as disciplinas internacionalmente reconhecidas como pertencendo àquela àrea científica (o que facilitará a mobilidade); outros 30 serão de opções dentro da mesma área científica, que conferirão algum ‘saber fazer’ e, espera-se, alguma empregabilidade (além disso serão a ‘janela’ para a oferta de 2º ciclo); os restantes 30 créditos europeus poderão ser obtidos pelo aluno frequentando cadeiras optativas, “por exemplo sob a forma de um minor noutros departamentos” ou noutras escolas, descreve João Sàágua, director da FCSH. Os “minors” passam agora para um semestre.
“Ter, por exemplo um aluno formado em Línguas e Literaturas com um ‘minor’ em Relações Internacionais, ou um aluno formado em Sociologia com um ‘minor’ em Economia, será a grande vantagem dos futuros diplomados da FCSH”, sublinha.
O processo de preparação da implementação dos novos graus académicos mobilizou toda a escola” desde há mais de um ano, garantiu ao DE.
Inquéritos aos alunos e docentes para apurar quantas horas de trabalho, em média, são necessárias para concluir com sucesso cada uma das disciplinas e “como devem ser definidas as competências” a adquirir em cada disciplina foram alguns dos instrumentos utilizados neste trabalho exaustivo de preparação.
Toda a “revisão curricular foi feita em diálogo permanente com todos os departamentos”, o que levou a que as propostas de alteração fossem aprovadas por unanimidade no Conselho Científico.
Uma metodologia que acabou por ter como “efeito colateral” a criação de redes entre os diferentes departamentos para o lançamento de novas licenciaturas e, como se verá, também nos 2º ciclos.


OFERTA CENTRADA EM TRÊS EIXOS DE FORMAÇÃO

A Faculdade de Ciências Sociais e Humanas vai aproveitar o Processo de Bolonha para criar uma oferta de formação estratégica em três grandes eixos temáticos: Língua, Património e Políticas Culturais; Cidadania Território e Políticas Sociais; e Conhecimento, Informação e Políticas para a Comunicação. Os objectivos centrais do processo são “aumentar o número de estudantes, assim como o volume de projectos de investigação fundamental e aplicada (prestação de serviços).
Esta oportunidade é considerada um instrumento que permitirá “redesenhar a oferta educativa da FCSH nos três ciclos do formação, contribuindo para a ordenação dessa oferta e, em especial, para a articulação entre a oferta clássica e a estratégica, e para o reequilibro entre a oferta docente e a procura dos alunos”. Uma revolução que permitirá ainda mudar a “prática educativa” e reforçar a relação ensino/investigação e ensino/empregabilidade, ao distinguir entre “cursos de especialização visando a empregabilidade” e “cursos de especialização visando a investigação”.
Os cursos do 1º ciclo (licenciatura) avançam já no próximo ano com o modelo Bolonha. Marcado para 2007/08 está o arranque dos novos 2º e 3º ciclos (mestrados e doutoramentos). Mas, sob a forma de curso de pós-graduação, ‘arrancarão’ de facto já para o ano, sendo depois reconhecidos retroactivamente como cursos Bolonha no ano seguinte. Quanto aos alunos que frequentam neste momento a faculdade, só no próximo mês de Maio terão definidos os modelos de transição para os cursos Bolonha.

Cursos com aulas práticas generalizadas
“Aulas práticas generalizadas a todas as licenciaturas, que deverão ocupar 40% do tempo lectivo; autonomia e trabalho desenvolvido por iniciativa dos estudantes; desdobramento de turmas que terão, na sua maioria um máximo de 20 alunos”. Estas são algumas da novidades pedagógicas que serão introduzidas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, já a partir de Setembro.
O docente terá menos horas teóricas mas deverá centrar metade da sua carga lectiva em “aulas práticas e orientação aos alunos, nomeadamente nas propostas de leitura e apoio aos trabalhos individuais”.

Madalena Queirós, Diário Económico, 11-4-2006

segunda-feira, abril 03, 2006

Mais de metade dos cursos públicos adaptados já no próximo ano

Lusa 03.04.2006

Segundo as propostas de adequação de licenciaturas entregues à tutela pelas instituições de ensino superior, 51% dos cursos universitários e politécnicos públicos estarão adaptados ao Processo de Bolonha já no próximo ano lectivo.

De acordo com o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), as universidades públicas entregaram à Direcção-Geral do Ensino Superior 284 propostas de adequação de cursos, o que corresponde a 51% das cerca de 550 licenciaturas existentes. No universo das 14 universidades públicas, só a da Madeira não apresentou à tutela quaisquer propostas de adequação de cursos ao Processo de Bolonha, um compromisso assumido em 1999 pelos países europeus que visa harmonizar os graus e diplomas atribuídos, de modo a criar um "espaço europeu do ensino superior" que facilite a mobilidade e a empregabilidade dos estudantes. Com 33 propostas de adequação apresentadas, as universidades de Aveiro, Minho, Técnica e Nova de Lisboa são as mais avançadas no processo de reestruturação das licenciaturas, que tem de estar concluído até 2010. Pelo contrário, a Universidade de Coimbra foi a que apresentou menos propostas, devendo ter apenas dois cursos aptos de acordo com os pressupostos de Bolonha no próximo ano lectivo. Quanto ao ensino superior politécnico, o panorama não diverge muito, tendo sido apresentadas à tutela cerca de 300 propostas de adequação ao novo modelo, o que equivale a 52% dos 568 cursos existentes. O prazo para a entrega de propostas de reformulação de cursos para o próximo ano lectivo terminou sexta-feira passada, cabendo agora à Direcção-Geral do Ensino Superior analisar e homologar, em apenas 45 dias, o novo modelo de cada das quase 600 licenciaturas apresentadas. Com o processo já numa fase avançada de concretização, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior acredita que em 2007/2008 estará concluída a adaptação do ensino superior português a Bolonha. De acordo com o novo modelo de organização decorrente do Processo de Bolonha, acabam os bacharelatos e o Ensino Superior passa a estar assente em apenas três ciclos: licenciatura (com a duração de três ou quatro anos), mestrado (com a duração de um ou dois anos) e doutoramento (com a duração mínima de três anos).

in Educare.pt

sexta-feira, março 31, 2006

Instituições entregam dossiers de Bolonha sem conhecer regras

Termina hoje o prazo de entrega de alteração e criação de novas formações

31.03.2006 - Bárbara Wong - PÚBLICO

A maior parte das universidades e politécnicos estão prontas para avançar com a aplicação do processo de Bolonha já no próximo ano lectivo. Mas a meio-gás. Muitos cursos vão ficar para 2007/2008 porque não foi fácil preparar os processos. Afinal, as normas para entregar os projectos dos cursos, no ministério, ainda não são conhecidas formalmente, denunciam as instituições.

O processo, que prevê a harmonização do ensino superior europeu e que foi adoptado por 45 países, não tem sido fácil de adoptar. Muitas instituições queixam-se que os atrasos da promulgação do diploma - só no dia 24 -, e o tardio conhecimento das regras, as prejudicou. "Houve muito trabalho que teve de ser reformulado", explica Luís Soares, do politécnico do Porto.

Para aplicar Bolonha é necessário as escolas apresentarem à tutela as alterações que pretendem fazer aos cursos ou novas formações. No dia 13, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) enviou, com carácter de urgência, um documento com os projectos de normas de organização dos dossiers referentes aos processos de registo de alteração dos cursos e de novas formações. Dois dias depois a tutela esperava as respostas das escolas. Um prazo difícil de cumprir quando estas têm de reunir diversos órgãos para analisar os projectos.

Passadas duas semanas, as normas ainda não foram publicadas em Diário da República, o que significa que as escolas elaboraram processos sem saber se a lei será igual ao projecto. "Esta forma de trabalhar não é consentânea com o normal funcionamento de um Estado de Direito", acusa Luciano de Almeida, presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP). O Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) chegou a pedir ao MCTES para que o prazo de entrega dos processos fosse adiado, mas a tutela manteve a data: 31 de Março.

Centenas de propostas

As universidades de Lisboa, Nova de Lisboa, Minho e Porto vão avançar com boa parte das suas formações. Coimbra é uma excepção e vai entregar os dossiers de apenas dois cursos, Psicologia e Engenharia Informática. A universidade quer avançar em 2007/2008.

No caso dos politécnicos, o CCISP prevê que sejam entregues 40 por cento das formações. Por exemplo, o Instituto Politécnico de Lisboa vai apresentar quase todas as formações, excepto as artes. O do Porto vai entregar metade dos cursos, que correspondem a 30 por cento dos alunos, pois são formações com menos estudantes.

Agora, a Direcção Geral do Ensino Superior tem 45 dias para responder. Um prazo que "para fazer um trabalho bem feito, não chega", defende Ferreira Gomes, vice-reitor da Universidade do Porto.

Depois de apresentadas as propostas, as instituições estão a analisar como vai ser feita a transição dos alunos que já estão a frequentar o superior. No que diz respeito aos primeiros anos, as escolas vão procurar fazer adaptações ao novo modelo. Quanto aos alunos dos últimos anos, por exemplo, na Universidade de Lisboa vai-se tentar perceber qual será a possibilidade e o interesse destes em serem integrados no segundo ciclo, explica o vice-reitor, António Nóvoa. As escolas entendem que os alunos dos cursos antigos não devem ser prejudicados.

Quanto às propinas, como Bolonha prevê que os alunos possam fazer cadeiras em instituições diferentes, algumas escolas contactadas defendem que estas devem ser pagas no curso de origem, outras prevêem que se façam acordos entre escolas.

quarta-feira, março 29, 2006

Sou estudante actual da FCSH. O que vai acontecer ao meu curso? Posso terminar a licenciatura mais cedo?

Deverá aguardar pelo registo dos novos cursos na DGES. Só após esse registo oficial a FCSH e o nosso Departamento poderão divulgar como se fará o processo de transição para os actuais estudantes. Antes do final do mês de Maio de 2006, não é possível dar este tipo de informação. Nessa altura, poderá consultar aqui as normas do processo de transição e as equivalências para os actuais estudantes. Por favor, evite contactar-nos por e-mail com pedidos individuais de equivalências. Este site será sempre actualizado com toda a informação disponível, à medida que formos sendo autorizados a fazê-lo.

Os cursos não vão ficar mais pesados, uma vez que as universidades condensaram as actuais licenciaturas de 4 anos para 3 anos apenas?

Não. Os novos cursos da FCSH foram desenhados de raiz e não são "condensações" dos actuais cursos. Num sistema de créditos, não seria possível nem desejável esse procedimento. Além disso, o novo paradigma de ensino e aprendizagem obriga a construir planos de estudos com objectivos específicos que dizem respeito à aquisição de certas competências. Na prática, muda-se o método de ensino mais teórico que hoje prevalece para um método de ensino mais virado para a resolução de problemas e discussão de ideias.

O processo de Bolonha consiste numa licenciatura de 3 anos em Portugal e depois 2 anos no estrangeiro?

Não exactamente. A licenciatura (1º ciclo) pode ser realizada em Portugal e ter continuidade (2º ciclo ou mestrado)  também em Portugal, na mesma instituição ou em outra; em alternativa, o estudante pode completar efectivamente o 2º ciclo em qualquer universidade europeia. Dentro da licenciatura, o estudante pode também optar por realizar determinados créditos ECTS (disciplinas) numa universidade europeia (por exemplo, ao abrigo do programa ERASMUS).

E os que já são licenciados? Há alguma requalificação prevista?

O processo de Bolonha não é regressivo. Quem já é licenciado continua licenciado nos termos em que concluiu o seu curso. Os estudantes que estejam a concluir uma licenciatura e aqueles que irão iniciar uma nova licenciatura é que podem beneficiar, naturalmente, das novas regras em vigor no espaço europeu. No entanto, não esqueça que a sua experiência profissional pode a partir de agora ser acreditada para efeitos não só de formação ao longo da vida como para iniciar um novo curso, seja de que nível for. Consulte a legislação nova (Condições especiais de acesso e ingresso no ensino superior: Decreto-Lei nº64/2006).

Que outros cursos existem depois da licenciatura?

Depois da licenciatura, é possível fazer um curso de formação especializada numa qualquer área das ciências sociais e humanas (1 ano), obter uma formação profissionalizante para ser professor do ensino Básico e Secundário (2 anos), fazer um curso de mestrado científico em várias áreas especializadas (2 anos), ou fazer um curso de mestrado profissionalizante (1 ano e meio), neste caso estará a nossa oferta de Tradução. Estes cursos tornar-se-ão mais acessíveis, quer do ponto de vista financeiro quer do ponto de vista académico. A FCSH está a reestruturar toda esta oferta, que deverá estar disponível em 2007-08, de acordo com aquilo que é possível antecipar neste momento.

O que diferencia os novos cursos de licenciatura de outros actualmente existentes e mesmo de outras faculdades?

A verdadeira interdisciplinaridade é a resposta: um estudante de qualquer das novas licenciaturas (180 créditos ECTS = 6 semestres = 3 anos) fará sempre um semestre (30 créditos ECTS) com disciplinas à sua escolha, podendo combinar o estudo das línguas estrangeiras ou da tradução com outras licenciaturas existentes na Faculdade. Por exemplo, pode escolher Línguas, Literaturas e Culturas, variante de Estudos Ingleses e Norte-Americanos (= 150 créditos ECTS = 5 semestres) e um conjunto de 5 disciplinas em outra área (Tradução ou Sociologia ou Ciências da Comunicação ou História ou Relações Internacionais, etc.), equivalente a 30 créditos ECTS (= 1 semestre). Este sistema interdisciplinar é único em Portugal. O estudante beneficia ainda de um ambiente universitário internacional, convivendo com muitos estudantes europeus que frequentam anualmente a Faculdade e têm a garantia de trabalhar com professores altamente qualificados.

Quando é que os estudantes da FCSH-DLCLM podem ter conhecimento dos novos cursos de licenciatura para 2006-07?

Os novos cursos necessitam de registo na Direcção-Geral do Ensino Superior, que tem 45 dias para dar uma resposta após a data oficial de recepção das propostas das universidades (31 de Março de 2006). Assim que a DGES aprovar o registo dos novos cursos, publicaremos no site do Departamento e das suas secções ampla informação sobre os novos planos curriculares.

Primeiro diploma promulgado por Cavaco alinha Ensino Superior com Bolonha

20.03.2006 - 21h43 Lusa


O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, promulgou hoje o decreto-lei que alinha o Ensino Superior português com o Processo de Bolonha, aprovando o primeiro diploma desde que tomou posse, a 9 de Março.

"A primeira promulgação presidencial respeita ao diploma que reorganiza os ciclos e graus do Ensino Superior, de acordo com o compromisso firmado pelos signatários da Declaração de Bolonha de constituírem, até 2010, um espaço europeu de Ensino Superior", escreve a Presidência da República, em comunicado.

Na mesma nota, Belém acrescenta que o diploma hoje promulgado "prevê um esforço europeu de empregabilidade, mobilidade e competitividade dos estudantes e cidadãos no espaço da União Europeia".

O decreto-lei que prevê o alinhamento dos estabelecimentos de ensino superior portugueses ao Processo de Bolonha no ano lectivo de 2007/08 (antes do prazo limite de 2010 previsto pela União Europeia) foi aprovado no início de Fevereiro, em Conselho de Ministros.

Na ocasião, o ministro do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia, Mariano Gago, salientou que o diploma conclui o processo legislativo estruturante para a "reorganização, modernização e alinhamento" do Ensino Superior nacional com o Processo de Bolonha.

Mariano Gago apontou então que ano lectivo 2007/2008 "todos os cursos de estabelecimentos de Ensino Superior já estarão adaptados" ao Processo de Bolonha, ou seja, "bem antes da meta de 2010".

Entre outros aspectos, o diploma fixa 180 créditos (equivalente a seis semestres) como duração normal da licenciatura no ensino politécnico, sem prejuízo de se poder situar nos 210 e 240 créditos (sete a oito semestres) em casos especiais de prática europeia ou requisito profissional.

Para o ensino universitário, o decreto prevê que os cursos de licenciatura "tenham entre 180 e 240 créditos, devendo os estabelecimentos de ensino fixar os valores que não sejam diversos dos de instituições de referência de ensino universitário do espaço europeu nas mesmas áreas".

"No ensino público, as propinas devidas pela inscrição num mestrado terão os mesmos valores que as propinas dos cursos de licenciatura, quando se trate de um ciclo de estudos integrado com a licenciatura ou quando o mestrado seja indispensável para o exercício de uma actividade profissional", acrescenta o diploma.

Na conferência de imprensa após a aprovação do diploma, Mariano Gago sustentou que o diploma apresenta "medidas inovadoras", dando como exemplo "a possibilidade de utilização de línguas estrangeiras, quer no ensino da licenciatura, mestrado ou doutoramento, quer na escrita e defesa das teses de mestrado e de doutoramento".

Outras "medidas inovadoras" então referidas são a possibilidade de "realização das reuniões preparatórias dos júris por teleconferência, o alargamento do depósito legal das teses de mestrado e de doutoramento a uma versão em formato electrónico (na Biblioteca Nacional e no Observatório da Ciência e do Ensino Superior)", mas "mantendo-se o registo nacional das teses de doutoramento em curso".

BOLONHA? "a minha mãe é que anda mais a par disso"

Artigo de Bárbara Wong in Público

Estão no último ano do secundário, sabem que curso querem e que exames têm de fazer, mas não o que está a mudar no ensino superior europeu nem como isso pode mexer com as suas vidas. O PÚBLICO foi a três secundárias perguntar: "O que é o processo de Bolonha?" Só cinco alunos estavam a par das alterações.

O que é o processo de Bolonha? Serão os "centros de emprego na Europa"?, pergunta um aluno da secundária Filipa de Lencastre, em Lisboa. A resposta mais ouvida é: "Não faço a mínima ideia." "É aquela coisa dos cursos no estrangeiro, não é?", arrisca uma estudante da secundária Pedro Nunes.
O processo que prevê a harmonização do ensino superior em 45 países europeus e que implica alterações na designação e na duração dos cursos, já a partir do próximo ano lectivo, deixa os alunos agora no 12.º ano - os primeiros a ser abrangidos pelas mudanças - com cara de caso. O PÚBLICO perguntou a cerca de quatro dezenas de jovens em três escolas da capital do que é que se estava a falar e apenas cinco deram uma resposta certa.
Apesar de a maior parte destes estudantes nunca ter ouvido falar de Bolonha, ao saberem do que se trata ficam reticentes e a opinião é unânime: só pode ser mau.À porta da secundária Filipa de Lencastre está um grupo de alunos do 12.º ano. A única rapariga presente, Mariana, responde acertadamente: "Os cursos passam a ter três anos." Imediatamente se instala o diálogo. "Se é isso, então é manhoso. A universidade é a desculpa para estares mais tempo fora do mercado de trabalho. Se estamos menos tempo, então vai haver mais desemprego", analisa Miguel, sentado nas escadas, a perna engessada apoiada nas muletas.
Bernardo aproxima-se, encosta-se às grades da rampa para deficientes e resume: "Menos tempo de estudo, menos preparação, menos possibilidades de emprego." "Vai haver mais desemprego", sentencia Miguel, cheio de certezas. Sentadas num banco de jardim, de livros abertos, Telma e Sara revêem a matéria antes do teste. Nunca ouviram falar, começam por dizer. "A minha mãe é que anda mais a par disso... Ela é que trata de tudo", empurra Telma para a amiga. "Agora estamos mais preocupadas em entrar [na universidade]... Depois logo se vê", responde Sara. Telma concorda: "Temos pouco tempo e não nos preocupamos com isso.
À explicação sobre o que é Bolonha, faz-se alguma luz. "São três anos cá e os dois últimos no estrangeiro, não é?", questiona Sara. As alunas recordam que já foram ao Instituto Superior Técnico, onde se falou no tema, mas na escola nunca ouviram uma palavra sobre o assunto, dizem. Quando se pergunta à directora de turma, esta diz que "vai investigar", acrescentam.

Formação "pode nunca acabar"

Na secundária Pedro Nunes, à pergunta sobre Bolonha há um grupo de meia dúzia de rapazes que se desmembra, cada um para seu lado, deixando dois amigos para trás. Os jovens não sabem se vão prosseguir os estudos. "Isso não me diz nada", responde timidamente um deles.
Os professores ainda não falaram de Bolonha, dizem os estudantes. A excepção foi a professora de Matemática de José Luís, que deu "umas explicações" numa aula. "As licenciaturas vão passar a ser de três anos, o mestrado de dois e o doutoramento são três. Abre-nos a possibilidade de ir lá para fora e [a formação] pode nunca acabar", desfia o aluno, atento. Resposta certa.
Para José Luís "é mau", porque o curso que quer - Economia - fica maior com a introdução de Bolonha. E explica, antes a licenciatura tinha quatro anos, agora tem três, mas "é obrigatório" fazer o mestrado - logo, são cinco anos na faculdade: "Tenho que fazer o mestrado, porque sem ele não vou a lado nenhum. Não vou acabar o curso com 20 anos, não posso começar logo a trabalhar com 20 anos... Fica-se burrinho." argumenta. O jovem já delineou o seu futuro e vê-se nos EUA a tirar o doutoramento.
As amigas, com quem partilha o banco do pátio onde se abrigam da chuva miudinha, ouvem-no com atenção. Não sabem o que é Bolonha, mas não adivinham dias fáceis. "Se a matéria dos cursos é a mesma, eles [as instituições] vão condensá-la para caber em três anos e a faculdade vai ser mais pesada", antecipam, desanimadas.

"Cursos válidos na Europa"

Entreolham-se e trocam sorrisos de alguma atrapalhação. Joana, Ana e Rita, da secundária José Gomes Ferreira, desconhecem o que é Bolonha. Mas depois de saberem, Joana lembra-se de uma conversa que teve em casa: "Ah! A minha irmã já me falou nisso, porque ela está na faculdade e o curso vai ficar mais pequeno."Se vai alterar alguma coisa nas suas vidas, as raparigas não sabem nem estão preocupadas, embora tenham a certeza do percurso que querem cumprir.
É nesta escola que o PÚBLICO encontra mais alunos esclarecidos sobre Bolonha. O que sabem ouviram nos noticiários ou falaram com os pais, como é o caso de João Pedro. Na noite anterior, os pais estiveram a comentar a redução do número de anos nos cursos, conta.
Também Duarte e João sabem que vai haver uma "uniformização dos cursos para serem válidos na Europa". No caso do primeiro, vai ficar tudo na mesma - o jovem pretende seguir Medicina, um dos cursos que não sofrerão alterações.

24-3-2006

terça-feira, março 28, 2006

Primeira informação sobre Bolonha

Sobre o processo de Bolonha na fcsh/unl: se já é estudante da FCSH ou se pensa vir estudar para a nossa faculdade a partir de 2006-07, pode informar-se sobre o significado desta mudança importante no futuro das universidades europeias nesta página da UNL.

Apresentação

Este blog destina-se exclusivamente a esclarecer, debater, informar todos aqueles que desejam frequentar proximamente a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa num dos cursos novos a oferecer pelo Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas Modernas: a licenciatura em Tradução e a licenciatura em Línguas, Literaturas e Culturas, cuja abertura se prevê para o próximo ano lectivo de 2006-07.

Aqueles que já são estudantes da FCSH poderão também aqui esclarecer as suas dúvidas em relação ao processo de transição para o chamado processo de Bolonha.

O blog será moderado pelo professor Carlos Ceia, coordenador do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas Modernas.

As informações prestadas neste blog são da exclusiva responsabilidade do seu autor e não reflectem nenhum compromisso com decisões gerais e oficiais da FCSH.